Contos O Jovem Mestre de Confúcio

Contos O Jovem Mestre de Confúcio

Contos O Jovem Mestre de Confúcio

Contos O Jovem Mestre de Confúcio

Confúcio estava muito cansado de ler e decidiu descansar um pouco. Mas o que fazer? Mesmo quando descansava, ele queria fazer alguma coisa. Resolveu então sair num carro de búfalo para ir até o Monte Jing.

Enquanto os búfalos negros avançavam pela estrada, ele admirava a primavera que tinha chegado. E pouco depois, ele avistou a montanha, com um colar de neblina.

Confúcio ficou muito contente. Ele tinha certeza de que do alto  poderia avistar todo a planície, até se perder de vista, com a crista das colinas perfiladas mais adiante, uma depois da outra, até o horizonte.

Estava tão distraído que nem percebeu um menino fazendo barro com um balde de água, para erguer uma muralha de brinquedo no meio da estrada. Confúcio achou muito estranho, pois não tinha passado por nenhuma casa por perto. Mas não se importou. A casa onde o menino morava podia estar entre as árvores.

Ele ergueu o braço e deu um grito para que os búfalos avançassem, achando que o som de sua voz serviria também para alertar o menino, pois, afinal de contas, o meio da estrada não é o melhor lugar para se brincar.

O menino que construía a miniatura da muralha virou a cabeça, avistou os búfalos puxando a carroça e depois o condutor. Em seguida, pegou mais um pouco de barro e completou a edificação, sentando-se atrás dela, como se assim estivesse protegido.

Confúcio ficou bravo:
– Ei, não vê que estou passando? Sai do caminho, quero chegar logo ao Monte Jing
O menino caiu na risada:
– É o carro de búfalo que tem de contornar a muralha. Onde já se viu uma muralha sair do lugar para dar passagem a um carro de búfalo, de boi ou outro qualquer!

Ouvindo isso, Confúcio teve duas reacções. A primeira, de raiva. Que falta de respeito com os mais velhos! E também de admiração: o menino tinha dado uma boa resposta. Então contornou a muralha – para isso teve de entrar no mato – e parou ao lado do menino.

Perguntou quantos anos ele tinha:
-Sete – foi a resposta.
– Só sete? Apesar de sete, me deu há pouco uma boa resposta. Qual é o seu nome?
– Não tenho nome nenhum.

Confúcio olhou bem para o menino e pensou, ele é inteligente, mas agora vai se ver comigo. Pensou isso porque Confúcio gostava também de brincar, só que com palavras e ideias. E queria saber até onde uma criança de sete anos conseguiria acompanhá-lo nesse jogo.

– Sem Nome, me diz uma coisa:

conhece montanha sem pedra? Pé sem dedo? Céu sem passarinho?  Água sem peixe? Porta que não fecha? Égua sem potro? E fogo sem fumaça, conhece? Conhece homem sem mulher? Mulher sem marido? Macho sem fêmea? Árvore sem galho? Cidade sem governo? Gente sem nome?

Ele disse, bem devagar, como se mastigasse as palavras. O menino ergueu a cabeça e respondeu, bem devagar, como se cuspisse a resposta:

– Uma montanha de terra não tem pedras. Pé-de-mesa não tem dedo. No céu da boca pássaro não voa. A água do poço é sem peixe. Porta sem batente não fecha e um cavalo de madeira não dá cria. Além disso, fogo-fátuo não solta fumaça. Imortal não tem mulher. Fada não tem marido. Solteiro vive sem mulher. Árvore seca não dá galhos. Uma cidade abandonada não tem prefeito. E menino, como eu, não tem nome.

Confúcio engoliu em seco. O menino tinha resposta para tudo:
– Você tem resposta para tudo. Vamos sair juntos pelo mundo, para que ele seja em tudo igual?
– O mundo não pode ser igualado. No alto, erguem-se as montanhas, em baixo, correm os rios e estende-se o mar. De um lado, uns governam, mas do outro, estão os governados. Por isso o mundo não pode ser igualado. Poderia ser mais igual, isso, sim!

– Se nós dois aplanássemos as montanhas, teria terra e rocha para encher o mar e os rios. Nós poderíamos também expulsar os que têm tudo e libertar os escravos. Nesse caso, o mundo seria mais igual.

– Se aplanássemos as montanhas, onde os animais se refugiariam? Se enchêssemos o mar e os rios, onde nadariam os peixes? E se expulsássemos os que têm tudo, quem iria lhe dar emprego? E se todos os escravos fossem libertados, por que continuariam a lhe pedir conselhos?

– Certo, certo – exclamou Confúcio – você consegue responder as questões mais complicadas, mas duvido de que seja capaz de responder as mais simples.

O que é esquerda e direita?
– O Leste e o Oeste – respondeu o menino*.
– O que é interior e o que é exterior?
– O Sul e o Norte – respondeu ele.
– Quem é o pai, a mãe, o marido e a esposa?
– O céu é o pai, a terra, a mãe, sol é o marido, a lua, esposa – disse o menino.

– De onde vêm as nuvens e a neblina?
Ele tinha a resposta na ponta da língua:
– As nuvens são vapores de água que sobem da terra e que voltam para a terra na gota de chuva, e a neblina sobe da terra, mas tem preguiça de chover.

– Quando o galo vira faisão? – perguntou Confúcio.
– Quando ele chega perto do brejo e da montanha.
– E quando o cão vira raposa?
– Quando ele chega perto das colinas e montes.

– Bom! – disse Confúcio – você não perde uma! Mas será que um menino de sete anos pode adivinhar isso aqui: a mulher está mais perto de seu marido que uma mãe de seu filho?
O menino riu novamente, como se achasse a pergunta muito fácil:
– A mãe está mais perto de seu filho que uma mulher, de seu marido.
– Ah, essa, não! – disse Confúcio – É o contrário. A mulher está mais perto de seu marido do que uma mãe de seu filho. E quer saber por quê? Porque durante sua vida a mulher e seu marido dormem juntos, na mesma cama, e cada um tem um travesseiro ao lado do outro. E quando morrem, estão lado a lado, nos seus túmulos.
– Quem perdeu foi o senhor – disse o menino – porque o que eu disse é certo, pois é o contrário do contrário: a mãe está mais perto de seu filho que uma mulher, de seu marido. E provo o que estou dizendo: a mãe é para o filho o que as raízes são para as árvores. Uma mulher é para o seu marido o que as rodas são para o carro. Quando a mãe morre, o filho é órfão para sempre. Que nem a árvore ao morrer: secam seus galhos e suas folhas. Mas se uma mulher morre, seu marido pode se casar com outra mulher e recuperar a alegria. Do mesmo jeito, um carro, quando perde as rodas, pode conseguir outras novas. Ou então, todo o carro pode ser novo. O senhor me desculpe, mas só um louco diria que uma mulher está mais perto de seu marido do que de seu filho.

Dessa vez, Confúcio pareceu confuso. O menino aproveitou a oportunidade e interrogou o mestre:
– Respondi todas as suas perguntas, agora, peço que responda as minhas. Como os gansos e os patos conseguem nadar? Como os grous e os gansos selvagens conseguem gritar?  Como os pinheiros e os ciprestes conseguem ficar sempre verdes, tanto no verão como no inverno?
Confúcio respirou fundo. As perguntas eram fáceis. Super fáceis.
– Porque eles têm as patas espalmadas.
O menino balançou a cabeça:
– Não é uma boa razão. Primeiro, pata não pode ser espalmada, porque palma existe é na mão. E as tartarugas também nadam, e não têm as patas “espalmadas”.

Pego de surpresa, Confúcio disse:
– Pois é… – mas se recuperou logo, passando para a pergunta seguinte: – Como têm um pescoço comprido, os grous e os gansos selvagens podem gritar.
O menino sacudiu a cabeça:
– Também não é uma boa resposta. As rãs também gritam e elas não têm pescoço comprido.

De novo Confúcio ficou mudo. E depois conseguiu dizer:
– Pois é… – e passou para a última pergunta – como têm um cerne duro, os pinheiros e os ciprestes ficam sempre verdes, tanto no verão como no inverno.
Mais uma vez o menino sacudiu a cabeça:
– O senhor nunca dá a boa razão ou a boa resposta: o bambu também fica sempre verde, no inverno e no verão, e ele nem cerne tem, pois é oco por dentro.

Confúcio, cada vez mais confuso, calou-se, enquanto o menino fazia as últimas perguntas que tinha para fazer:
– Quantas estrelas tem no céu?
Confúcio pareceu fugir da pergunta:
– Estamos falando da terra e não do céu.
– Certo, não vamos falar do céu.  Quantas casas existem sobre a terra?
Confúcio ficou nervoso:
– Melhor não falar nem do céu nem da terra. Vamos falar das coisas que estão diante dos olhos.
O menino riu novamente:
– Ah, certo – disse – vamos falar das coisas que estão diante de nossos olhos: quantos pelos o senhor tem nas sobrancelhas?
Confúcio pareceu cansado e suspirou:
– Desisto, eu não consigo  ganhar, nem  fazendo perguntas, nem respondendo as que  me faz. Acho agora que temos de temer uma criança. Você quer seu meu mestre?
O menino continuou a brincar em silêncio na estrada e não respondeu.

por Dong Yuan Za Zi, Guanzhou, 1864. Tradução de Márcia Schmaltz e Sérgio Capparelli

 

Espero que você tenha apreciado “O Jovem Mestre de Confúcio”, como eu. Tenho muito gosto em partilhar este conto com você.

Contos O Jovem Mestre de Confúcio

 

Muito Amor e Sucesso para Você

 

 

Edmundo Isidro
Edmundo Isidro

 

 

 

 

 

 

 

 Sobre o Autor

Edmundo Isidro, gosta de pintura artística , pratica Reiki , o desenvolvimento pessoal e espiritual tem uma grande importância na sua vida, procurando aprender um pouco mais cada dia.

Como tal ele criou este Blog de forma a ajudar outros a sentirem-se melhor , com mais energia positiva, de forma a viver a vida, como deve ser vivida.

O Tesouro Enterrado

O Tesouro Enterrado

O Tesouro Enterrado

 O Tesouro Enterrado

Como tens passado os teus dias? Procurando respostas da tua vida em alguém, que te diz o que está bem ou mal. Procurar nos outros que te olham para te poderes ver a ti mesmo.

Se estás neste dilema, lê esta pequena história!

 

Era uma vez, no Cidade de Cracóvia , um velho  piedoso e solidário que se chamava Izy.

Durante várias noites, Izy sonhou que esta a viajar para Praga e chegava até uma ponte sobre um rio. Sonhou que ao lado do rio e debaixo da ponte se encontrava uma frondosa árvore. Sonhou que ele mesmo cavava uma cova ao lado da árvore e que da cova tirava um tesouro que lhe trairia bem estar e tranquilidade para todas a vida.

Ao principio, Izy não deu importância. Mas quando o sonho se repetiu durante várias semanas, interpretou como se fosse uma mensagem e decidiu que não poderia deixar de ouvir uma mensagem, uma informação que lhe chegava de Deus, ou não sabia de onde , enquanto dormia.

Assim que fiel há sua intuição, carregou sua mula para uma grande viagem e partiu para Praga.

Depois de seis dias de marcha, o velho chegou a Praga e começou a procurar a ponte sobre o rio fora da cidade.

Não havia muitos rios nem muitas pontes, assim que rapidamente encontrou o lugar que procurava. Igual como no seu sonho : o rio, a ponte e ao lado do rio,  a árvore que debaixo deveria cavar.

Só havia um detalhe que não tinha aparecido no seu sonho, a ponte era guardada dia e noite por um soldado da guarda imperial.

Izy não se atrevia a cavar enquanto o soldado estivesse ali., assim acampou perto da ponte e esperou.

Na segunda noite o soldado começou a suspeitar daquele homem que tinha acampado perto da ponte, assim se aproximou dele para o interrogar.

O velho não encontrou razões para lhe mentir. Por isso contou, que tinha chegado de uma cidade longínqua porque tinha tido um sonho que em Praga debaixo de uma ponte como aquela se encontrava um tesouro enterrado.

O soldado começou-se a rir dando grandes gargalhadas e disse :

– Tens viajado muito por uma estupidez. Acerca de três anos, eu tenho um sonho todas as noites que numa cidade de Cracóvia, debaixo da cozinha de um velho louco chamado Izy, há um tesouro enterrado.

Hã!hã!hã! – Acreditas que eu deveria ir a Cracóvia e procurar esse Izy e cavar debaixo da sua cozinha?  Hã!hã!hã!

Yzy agradeceu amavelmente ao guarda e regressou a sua casa.

Ao chegar cavou uma cova debaixo da sua cozinha e encontrou  o tesouro que sempre ali tinha estado enterrado!

 

Muita vezes procuramos nos outros, que nos olham para nos poder ver a nós mesmos. Procuramos fora o que na realidade esteve sempre dentro.

Procura o tesouro enterrado, usa ferramentas para te ajudarem a chegar mais rápido ao destino. Usa Livros , cursos , reprogramações mentais, a meditação, etc, educa-te. É um caminho, um processo individual e cabe a cada um encontrar o tesouro enterrado.

O Tesouro Enterrado

Ele é teu e será sempre teu!

 

Este artigo tem como base Uma história talmúdica de M.Buber

“O Tesouro Enterrado”

 

Muito Amor e Sucesso para você

 

 

Edmundo Isidro
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 Sobre o Autor

Edmundo Isidro, gosta de pintura artística , pratica Reiki , o desenvolvimento pessoal e espiritual tem uma grande importância na sua vida, procurando aprender um pouco mais cada dia.

Como tal ele criou este Blog de forma a ajudar outros a sentirem-se melhor , com mais energia positiva, de forma a viver a vida, como deve ser vivida.

Conto Chinês A Flor Mais Bela

Conto Chinês A Flor Mais Bela

Conto Chinês A Flor Mais Bela

Conto Chinês A Flor Mais Bela

A flor da Honestidade

 Conto Chinês

A importância de ser honesto consigo mesmo e com os outros…

Conta-se que, por volta do ano 250 a.C, na China antiga, um príncipe da região norte do País estava às vésperas de ser coroado Imperador, mas, de acordo com a lei, deveria se casar.

Sabendo disso, resolveu fazer uma disputa entre as moças da corte, inclusive quem quer que se achasse digna de sua proposta que não pertencesse à corte.

No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e apresentaria um desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.

Ao chegar à casa e relatar o fato à jovem filha, espantou-se ao saber que ela já sabia sobre o desafio e que pretendia ir à celebração.

Então, indagou incrédula: — Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça. Eu sei que você deve estar sofrendo, mas não transforme o sofrimento em loucura.

A filha respondeu: — Não, querida mãe. Não estou sofrendo e muito menos louca. Eu sei perfeitamente que jamais poderei ser a escolhida. Mas é minha única oportunidade de ficar, pelo menos alguns momentos, perto do príncipe. Isto já me torna feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções.

Então, inicialmente, o príncipe anunciou o desafio:

— Darei a cada uma de vocês uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura Imperatriz da China.

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de cultivar algo, sejam relacionamentos, costumes ou amizades.

O tempo foi passando. E a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisaria se preocupar com o resultado.

Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara. Usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho; mas cada vez mais profundo o seu amor.

Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e da sua dedicação, a moça comunicou à mãe que, independentemente das circunstâncias, retornaria ao palácio na data e na hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.

Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes. Mas, cada jovem com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada. Nunca havia presenciado tão bela cena.

Finalmente, chega o momento esperado e o príncipe passa a observar cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anunciou o resultado, indicando a bela jovem que não levara nenhuma flor como sua futura esposa.

As pessoas presentes na corte tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque o príncipe havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado.

Então, calmamente o príncipe esclareceu:

— Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma Imperatriz. A flor da Honestidade. Pois, todas as sementes que entreguei eram estéreis.

 

 

 

Espero que tenhas apreciado esta Bonito Conto, Chinês!

“A Flor da Honestidade

 

 Conto Chinês

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Edmundo Isidro
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